16 novembro 2017

"O futuro não é mais como era antigamente". O trecho da música do Renato Russo se encaixa perfeitamente para a onda de mudanças cada vez mais significativas no universo do marketing. As marcas já quiseram atingir a um público massivo (muitas ainda querem), mas o caminho que predomina atualmente é conhecer com precisão o seu público-alvo para criar ações que o atinjam em cheio. E é exatamente disso que se trata o marketing de nicho - além das questões de mercado embutidas -. Vamos citar o nosso guru para te oferecer uma visão mais oficial. Para Philip Kotler, um nicho de mercado é "um grupo definido mais estritamente, um mercado pequeno cujas necessidades não estão sendo totalmente satisfeitas".

A estratégia focada nos segmentos serve para entender quem compõe esse grupo e quais as melhores formas de chegar até essas pessoas. O marketing de nicho é interessante especialmente no caso de pequenas e médias empresas, pois tem um custo relativamente baixo e costuma ser mais assertivo. Mas é claro que desenvolver esse tipo de planejamento requer organização, estudo e os sensores de observação bem aguçados.

Vamos voltar a relembrar Kotler e apontar os três principais passos do marketing voltado para os nichos: identificação de um ou mais segmentos (público-alvo) para atuação; segmentação do mercado para reconhecer os grupos distintos e suas necessidades específicas com as quais pretende-se lidar na comunicação da marca e o estabelecimento de uma posição competitiva (saber quem são seus concorrentes e como você é diferente deles de forma positiva para o usuário/comprador).

Vamos aos exemplos e vantagens

Estamos falando de dividir a atenção das pessoas com menos concorrentes e, no caso de uma estratégia bem feita, se tornar uma espécie de autoridade no negócio promovido pela marca. Além disso, a marca que penetra de forma bem sucedida no mercado de nicho ainda tem uma chance maior de desenvolver uma relação afetiva com o consumidor.

Essa comunicação cuidadosa é o trabalho de relacionamento e tem uma grande chance de criar lovemarks (assunto que abordamos no blog anteriormente). Vamos a um exemplo para facilitar a compreensão? Imagine o caso de uma padaria. Ela entra no negócio disputando com outros estabelecimentos do mesmo segmento. Mas digamos que a padaria da qual falamos trabalha somente com produtos sem lactose e sem glútem. A forma de comunicar isso é completamente diferente e muito mais específica. É possível que o empreendimento seja divulgado em grupos do Facebook que abordem a intolerância à lactose, em grupos de alimentação saudável...

Cada negócio tem uma potencialidade a ser desenvolvida. É claro que até mesmo antes do marketing propriamente dito é preciso uma boa pesquisa de mercado para sentir a temperatura do negócio no qual a empresa está envolvida, mas após essa fase segue extremamente necessário conversar com esse público de perto e é aí que o marketing entra. E aí, seu negócio se encaixa em algum nicho? O primeiro passo é fazer uma autoavaliação e só então seguir em frente. Se quiser contar com a Incena Digital para esse diagnóstico, é só entrar em contato.

26 outubro 2017




Nós já falamos aqui sobre o uso dos vídeos no marketing digital e embasamos com pesquisa e números o avanço do consumo. Em 2017 só deu eles! Neste ano vimos o boom do stories do Instagram e também o Facebook colocando as famosas interações e filtros que todos estamos aptos a fazer - graças aos apps!


Bom, a última pesquisa feita pelo Google, em parceria com o Instituto Provokers, traz novas informações e nos ajuda a entender como é o comportamento do usuário com o audiovisual na web. O estudo deixa mais claro o cenário atual e nós separamos algumas informações interessantes:



E o Youtube está consolidado:



E os números só crescem! 




A busca por conteúdo original:





O que as pessoas querem com os vídeos?



A pesquisa veio reforçar algo que já desconfiávamos: sim, estamos vendo mais vídeos na web! Os dados ainda confirmam que estamos mais seletivos, buscando assuntos específicos e também fazendo nosso próprio conteúdo. Não há como prever prever como estaremos consumindo vídeo, mas podemos palpitar que vídeos ainda estarão em alta! E você? Tem algum palpite específico? 










20 setembro 2017


O serviço de streaming Netflix se instalou nos hábitos dos brasileiros de forma avassaladora. Se antes era comum ver alguém falando que ia ficar em casa vendo filmes no fim de semana, agora é mais corriqueiro ouvir a mesma pessoa falando que planejou "fazer maratona (ou binge-watching) na Netflix". Podemos dizer que isso é consequência do relacionamento que a marcar vem desenvolvendo com os usuários. Vem com a gente entender por que se relacionar com o público-alvo é cada vez mais necessário às marcas. A inspiração para a nossa reflexão é um artigo de pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) apresentado no 40º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação no início de setembro deste ano*.

A empresa norte-americana começou a operar no Brasil em setembro de 2011 e atualmente alcança mais de 190 países pelo mundo. De lá para cá, eles aumentaram consideravelmente seu catálogo e começaram a investir em produções próprias, sendo que as primeiras datam de 2013: House of Cards e Orange is the New Black. Mas o que queremos destacar é a forma como a empresa se relaciona com seus usuários. É muito comum ouvir ou ler declarações de admiração à Netflix ou à forma como eles se comunicam com os usuários, seja em campanhas de publicidade ou em suas redes sociais.

O caminho trilhado pela Netflix (antigamente tratada no gênero masculino, mas há algum tempo a empresa afirma na Internet que "é menina") é baseado no marketing de relacionamento. A ideia dessa estratégia é criar e trabalhar a comunicação com os clientes, investindo na atenção individual e focando em clientes heavy user das redes sociais, por exemplo. Esses clientes acabam se tornando divulgadores espontâneos da marca.


  • Olha a pequena Chloe querendo ser feliz com a Netflix

  • Trabalhar para a Netflix é considerado o emprego dos sonhos

  • Muita gente acaba perdendo a noção do tempo em frente à tela

  • "Quando você assiste tantos episódios da Netflix que acaba se tornando parte da mobília"

  • "Fotos do antes e depois de maratonar séries na Netflix do começo ao fim"

  • "Netflix: você ainda está aqui? Eu: Será que estou?"

  • Declaração literal de amor

"A nova ‘economia afetiva’ incentiva as empresas a transformar as marcas naquilo que uma pessoa do meio da indústria chama de ‘lovemarks’ e tornar imprecisa a fronteira entre conteúdos de entretenimento e mensagens publicitárias”, diz o artigo, citando Henry Jenkins, em seu livro “Cultura da Convergência”.

Tudo isso está relacionado ao marketing de conteúdo, parte da estratégia de inbound marketing, sobre a qual falamos nesse e-book aqui. O propósito é desenvolver o relacionamento com o usuário não somente falando dos próprios produtos, mas investindo no entretenimento e no conteúdo que provoque interesse devido ao perfil da pessoa. Vamos exemplificar como a empresa faz isso. Apesar de também ter muitos filmes em seu catálogo, a comunicação continuada da Netflix, especialmente no Facebook, é mais voltada para os seriados.

Eles sempre estão trocando com os fãs apaixonados e mergulham fundo em todo o universo que eles criam devido ao vínculo com a construção ficcional. Ou seja, o fã da série acaba se tornando o fã da Netflix. Cobrando as atualizações no site (e, geralmente, sendo respondido), comentando os momentos marcantes, rindo dos memes e piadas internas advindas das séries, esse usuário conversa com a empresa de maneira fluida e regular.

All you need is love?

De acordo com a pesquisa, a estratégia que aponta para a conquista do capital emocional dos consumidores é apontada como o futuro para as marcas, pois elas alcançam com tal sucesso a confiança e o respeito dos clientes que é possível dizer que chega-se à esfera do amor. "Nos tempos do capitalismo emocional, no entanto, o objetivo final segue o mesmo: o lucro. Para chegar aos bolsos do consumidor, muitas empresas perceberam que o caminho mais curto é o coração", diz o artigo.

Um dos exemplos citados pelo trabalho é a Apple. Empresas como a gigante de tecnologia já perceberam que esse tipo de estratégia pode funcionar até mesmo com os não-clientes da marca. Mesmo que a pessoa não tenha condições de consumir os produtos da Apple, eles acabam colaborando para que seja espalhado o valor emocional da marca, é o chamado consumo simbólico. Cada vez mais as grandes marcas vão querer que seus consumidores tenham características mais próximas às de um fã. E sua marca, está se relacionando com os seus clientes?

PARCERIA E INSPIRAÇÃO

*Esse texto foi inspirado pela parceria da Incena com a Faculdade de Estudos de Mídia e o título do trabalho em questão é “'Netflix, eu te amo!': o capital emocional no relacionamento entre a empresa de streaming e os consumidores-fãs", apresentado durante o Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares), um dos mais importantes eventos de comunicação do país.

Você pode saber tudo sobre a pesquisa citada nesse texto aqui: http://portalintercom.org.br/anais/nacional2017/resumos/R12-1357-1.pdf