Ativismo e marketing: uma análise da relação entre marcas e questões sociais

Por: | 13:55 Deixe um comentário
Nossa realidade muda cada vez mais rápido. E o marketing tem um papel muito importante nisso tudo. Pensa bem, cerca de 1.44 bilhão de pessoas acessam o Facebook e editam sua própria vida. Olha só quanto marketing envolvido! O termo, oriundo da língua inglesa, tem a ver com mercado, mas está cada vez mais presente até mesmo nos relacionamentos humanos (vide as redes sociais).

Com a mistura dos processos de comunicação que envolvem mercados e pessoas, as marcas e instituições também acabam tendo uma influência significativa nos debates da esfera pública. E muitas delas pegam carona em causas que ganham a atenção das pessoas por meio da convivência online. Que fique claro que aqui o termo "pegar carona" não necessariamente reflete oportunismo, mas sim uma questão de estar antenado e se colocar como personagem ativo nas questões sociais.


Vamos exemplificar. Muitas marcas e organizações do poder público se uniram para falar sobre o assédio contra as mulheres no Carnaval, no sentido de dizer um basta a esse tipo de manifestação. A marca de cerveja Skol participou pela segunda vez de uma ação interessante: #ApitoContraOAssédio. A ideia foi dar visibilidade e impedir qualquer tipo de assédio durante a celebração do Carnaval com uma proposta simples: se alguém passou dos limites, apite. Em 2017, a campanha aconteceu em São Paulo, Florianópolis, Salvador e Recife. A mudança de posicionamento da Skol é marcante. Em 2015, a marca foi alvo de duras críticas ao criar uma ação que dizia "Esqueci o 'não' em casa", sendo acusada de reforçar o assédio sofrido pelas mulheres.

Outros exemplos são marcas como Boticário e Netflix. A primeira fez uma campanha inclusiva no Dia dos Namorados de 2015, com manifestações de afeto entre casais homafetivos. A marca se viu no centro de uma polêmica após seu anúncio ser lançado na televisão e na Internet, quando foi ameaçada de boicote por homofóbicos (o que acabou aumentando a visibilidade dos seus produtos). A Netflix é famosa por celebrar a diversidade no próprio conteúdo, com histórias inclusivas no que diz respeito à etnia e orientação sexual (no caso do seriado Sense8, por exemplo, há dois casais homossexuais e um deles conta com uma mulher transexual).


O mais interessante é notar que a escolha das grandes marcas tem sido se posicionar, pois isso acaba sendo cobrado pelos consumidores. Vivemos um momento histórico onde a população em geral (no que diz respeito às redes sociais) escolhe um lado da questão e o defende com unhas e dentes. Acreditamos que as marcas buscam cumprir uma narrativa semelhante, mas, com certeza, com muito mais cuidado com a variedade de interpretações possíveis e consequências.

E você, já pensou sobre o assunto? Acha que é melhor as marcas ficarem distantes das questões sociais ou o engajamento é interessante?

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