Mas a publicidade interruptiva não era coisa do passado?

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Há alguns anos, a publicidade de maneira geral declarou o fim da interrupção como padrão, a chamada publicidade interruptiva. Não que exista um documento formal para atestar isso, mas vivemos uma corrente contrária, na qual acompanhamos o fluxo do usuário/cliente, oferecendo materiais que são do seu interesse e não cortando bruscamente o processo de assistir/ouvir. Isso quer dizer, em resumo, que a publicidade vive um relacionamento sério com o conteúdo há algum tempo.

No entanto, temos notado algumas "puladas de cerca" nessa lógica e vamos citar dois exemplos: Facebook e YouTube. Vocês já notaram aquela interrupção brusca e marota quando estamos assistindo a algum vídeo mais longo na rede social de Mark Zuckerberg? Você está assistindo ao vídeo do seu interesse e... ele é cortado para uma publicidade de 10 a 15 segundos. Dificilmente algo seria mais interruptivo do que isso - a não ser aquelas inserções da Jequiti na programação do SBT.


A iniciativa foi alardeada no início deste ano e fez a alegria de boa parte dos produtores de vídeos, mas não tem deixado os usuários satisfeitos (alguns deles, inclusive, ficam enfurecidos). Mas Incena, se todo mundo sabe que isso vai irritar os espectadores, por que isso ainda acontece? A resposta, como de costume, é o lucro. Dinheiro, grana, money, bufunfa, dindim...

A receita que advém dessa publicidade é dividida entre o Facebook e os produtores, que, num primeiro momento, ficariam com 55% do que é arrecadado. Este tipo de anúncio está disponível em vídeos com pelo menos um minuto e meio de duração e é exibido somente para quem assiste ao vídeo por, no mínimo, 20 segundos.

No YouTube, a maioria dos anúncios passa por poucos segundos e oferece a opção de pular. No entanto, há algum tempo, até antes do Facebook, a mídia social insere algumas mensagens publicitárias que não podem ser descartadas: são os anúncios in-stream.

"Anúncios in-stream não puláveis são anúncios que podem aparecer antes, no meio ou depois da visualização do conteúdo do parceiro. Esses anúncios têm de 15 a 20 segundos de duração, e os espectadores precisam assistir ao anúncio para poder assistir ao vídeo selecionado. Um bloco de anúncios complementares de 300 x 60 pixels geralmente é exibido ao lado de vídeos do YouTube que exibem anúncios in-stream em computadores", esclarece o suporte do YouTube.

E o usuário nisso tudo?

Nós, pessoas conectadas à Internet, recebemos diariamente um mar de informações que podem ser consumidas num clique. São muitos estímulos, muitas opções... e já fizemos um texto aqui no blog sobre o poder do vídeo nessa história. Mas com tanta disponibilidade, é comum que o usuário passe por uma espécie de crise de atenção e o mais difícil é conseguir o foco das pessoas com alguma mensagem.

O que queremos dizer com isso? Talvez seja interessante do ponto de vista mercadológico inserir um anúncio no meio de um conteúdo, afinal de contas, o domínio financeiro dos grandes canais de televisão aberta foi construído em cima disso. Mas o usuário ainda está disposto a passar por isso? Reproduzimos abaixo comentários em sites de notícias que ilustram o pensamento, ousamos dizer mesmo sem uma pesquisa oficial, da maioria dos internautas:

"A tal da propaganda no meio dos vídeos é a coisa mais chata do YouTube e o Facebook quer copiar? Tem coisa pior que no meio de uma gameplay (por exemplo) o vídeo parar pra exibir uma propaganda?"

"Simples, deixo de abrir vídeos. Não serei obrigada a assistir propagandas quando não tiver interesse, apenas por conta de um vídeo em rede social...".

Agora é acompanhar o desenvolvimento dessa história e observar se o "crime" da interrupção vai compensar ou não. E se os usuários da Internet hiperestimulados - especialmente os mais jovens - vão se manter passivos diante da lógica interruptiva.

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